
Entregadores de aplicativo iniciaram nesta segunda-feira (31) uma greve nacional para reivindicar melhores condições de trabalho e reajuste de salários. Entre as principais demandas da categoria estão a taxa mínima de R$ 10 por entrega, limitação de até três quilômetros para entrega por bicicletas e aumento do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50.
A paralisação deve acontecer em 59 cidades e em 19 capitais. Os entregadores reivindicam ainda aumento da taxa de espera. O entregador Fábio Elias, que trabalha há dez anos com a plataforma Ifood, falou sobre as demandas à Rádio Bandeirantes.
"Há cinco anos a taxa mínima do Ifood era R$12,90, e hoje é R$ 6,50, então está diminuindo. Outra coisa que pedimos é aumento da taxa de espera. Atualmente, a taxa de espera que recebemos se ficamos meia hora esperando um pedido é de R$ 0,15. É humilhante o que eles fazem com a gente", disse Elias.
Em São Paulo, os entregadores se reuniram nesta manhã no Pacaembu e, em seguida, seguiram rumo ao Masp, na avenida Paulista. Fábio Elias afirmou que, atualmente, fatura em média R$ 200 trabalhando durante cerca de 14 horas. "No passado conseguia fazer R$ 350", disse.
Em nota, a plataforma Ifood informou que respeita "o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras" e que estuda a viabilidade de um reajuste para 2025.
"É importante ressaltar que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras", diz a nota.
Segundo a empresa, o ganho bruto por hora trabalhada hoje no iFood é "quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional."
"De 2022 até 2024, os ganhos líquidos médios por hora trabalhada na plataforma foram 2,2 vezes superiores ao salário mínimo-hora, de acordo com os custos apontados em pesquisa realizada pelo Cebrap em 2023."
A manifestação dos entregadores terminará em Osasco, onde fica a sede da empresa Ifood. No Instagram, a conta Breque Nacional dos Apps informa que a greve acontecerá hoje e amanhã, 1º de abril.
Veja quais são as reivindicações da categoria:
- Definição de taxa mínima de R$ 10 por corrida;
- Aumento no valor do km rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50;
- Limitação de 3 km para entregas feitas por bicicletas;
- Garantia de pagamento integral dos pedidos, mesmo em entregas agrupadas na mesma rota
"Motociata" em SP
Os motoboys se concentraram em praças próximas a shoppings na região sul de São Paulo e foram até o centro de Barueri e Osasco, na região metropolitana, onde fica a sede do iFood, principal tomador de serviço. Depois, passaram pela Marginal Pinheiros e finalizaram o ato às 14h30, em frente ao Shopping Eldorado, em Pinheiros, na zona oeste da capital.
Em nota, o iFood, principal empresa de delivery no Brasil e alvo dos entregadores no protesto, afirma que "respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras" e diz estar "estudando a viabilidade de reajuste para 2025". Informa ainda que o ganho bruto por hora trabalhada na plataforma "é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional".