
O forte terremoto que atingiu Mianmar na última sexta-feira (28) pode ser considerado "uma tempestade perfeita" diante da atual situação do país, que enfrenta diversas crise desde o golpe de estado, em 2021, segundo o professor de Relações Internacionais, Leonardo Trevisan. Segundo a junta militar que governa o país, os tremores já provocaram 2.056 mortos e 3.600 feridos.
"O país vem de uma guerra civil brutal com milhares de mortos, teve um golpe de estado em plena pandemia, que derrubou um governo legitimamente eleito sob acusação de fraude eleitoral. Esse golpe se traduziu em uma sequência de crises em um país que já era suficientemente pobre (...) tempestade perfeita foi o que aconteceu em Mianmar", disse Trevisan, em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes.
Os tremores de magnitude 7,7 também foram sentidos na Tailândia e na China. Em Mianmar, prédios, templos e casas ficaram destruídos e pessoas ficaram presas sob os escombros. Com estradas e pontes danificadas, a chegada de ajuda tem sido dificultada.
Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro do tremor foi a 16 km a noroeste da cidade de Mandalay, na região central de Mianmar. Um dos fatores que agravaram o terremoto foi a pouca profundidade do epicentro dos tremores, apenas a 10 km do solo. Atualmente, Mianmar tem 53 milhões de habitantes.
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Forte terremoto atinge Mianmar e Tailândia e deixa mortos 1/5
"A pressão da guerra já deslocou mais de 3 milhões de pessoas para as áreas urbanas sem nenhum apoio. É um quadro de extrema preocupação. O Serviço Geológico dos EUA avisou que o número de mortos deve ser muito maior", disse Trevisan.
Ainda segundo o professor, o desastre pode aumentar o risco de migração para outros países da Ásia com o risco da instabilidade de Mianmar atingir países vizinhos.