Tribunal da Turquia ordena prisão de rival de Erdogan

Detido por "corrupção", líder oposicionista Ekrem Imamoglu tem prisão preventiva formalmente decretada e é suspenso do cargo de prefeito de Istambul, elevando clima de tensão no país, em meio a onda de protestos.

Por Deutsche Welle

Tribunal da Turquia ordena prisão de rival de Erdogan
Janela de ônibus reflete foto de Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul
Murad Sezer/Reuters

O Ministério do Interior da Turquia anunciou neste domingo (23) que está suspendendo do cargo o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal opositor do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Momentos antes do anúncio, um juiz ordenou formalmente prisão preventiva para Imamoglu. Com isso, o político foi transferido para a prisão de Silivri, no oeste de Istambul. Imamoglu foi detido na quarta-feira passada, sob acusações de "corrupção".

A determinação judicial deste domingo ocorreu após uma quarta noite de protestos em massa contra a detenção do político, que levou a fortes confrontos com a polícia, em meio à maior onda de manifestações no país em mais de uma década.

A detenção de Imamoglu, que assumiu o cargo de prefeito de Istambul em 2019 e renovou o mandato em 2024, causou grande revolta, já que sua legenda, o social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP), o havia indicado como candidato para a próxima eleição presidencial para enfrentar Erdogan.

Votação primária

İmamoğlu teve sua prisão preventiva decretada no mesmo dia em que 1,5 milhão de membros do CHP realizaram uma votação primária, destinada a endossar oficialmente sua candidatura à presidência. O prefeito de Istambul é o único candidato presidencial do partido, transformando a votação em uma demonstração simbólica de apoio.

Em uma declaração publicada na rede X, o ministério disse que, como uma "medida temporária", estava suspendendo Imamoglu como prefeito de Istambul.

Imamoglu é acusado de registro ilegal de dados pessoais, suborno, fraude em licitações e suporte de organização terrorista (devido a um acordo eleitoral entre o CHP e um partido pró-curdo que as autoridades acusam de ter vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado um grupo terrorista por Ancara.

A oposição acredita que as incriminações são forjadas com o intuito de afastar da política o opositor de Erdogan. O CHP convidou novamente seus partidários a se manifestarem na noite deste domingo, como no passado, em frente à prefeitura de Istambul, onde cerca de 50 mil pessoas se reuniram no sábado para exigir a libertação do prefeito.

"Golpe contra a democracia"

Imamoglu pediu à nação que resista ao que ele chamou de "golpe contra a democracia".

"Querida nação, nunca perca a esperança. Juntos, desmantelaremos esse golpe contra nossa democracia, essa mancha negra", escreveu Imamoglu em uma mensagem na rede social X, a primeira desde que sua prisão preventiva foi anunciada.

Cerca de 90 pessoas foram presas na quarta-feira, incluindo dois prefeitos de distritos de Istambul que foram detidos por “corrupção” e "terrorismo".

Ambas as autoridades eleitas são membros do CHP, um partido social-democrata e secular fundado por Mustafa Kemal, o pai da República Turca.

O CHP tem 134 assentos no Parlamento, em comparação com os 272 do AKP de Erdogan, e nas eleições locais de março de 2024 ganhou 35 das 81 capitais de província, 11 a mais do que o AKP. Venceu na maioria das grandes cidades, como Ancara, a capital, Izmir, Antalya e a grande cidade industrial de Bursa.

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