O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirou o sigilo dos vídeos e áudios do depoimento de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (20).
Nesta quarta, Moraes já havia liberado o teor da delação de Cid, que foi uma das bases para a denúncia de Bolsonaro e outras 33 pessoas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e os demais por envolvimento em um plano de golpe de Estado, que teria sido elaborado após as eleições de 2022.
Os crimes atribuídos a Bolsonaro e aos demais denunciados são: tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Após a Polícia Federal (PF) indicar a omissão de informações no depoimento de Mauro Cid, Moraes convocou o ex-ajudante de ordens para uma nova oitiva em 21 de novembro do ano passado.
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Moraes: 'É a última chance do colaborador dizer a verdade sobre tudo'
No depoimento colhido em novembro, o ministro do Supremo e relator do caso foi direto ao ponto com Mauro Cid. "Quero os fatos, por isso que eu marquei essa audiência. Eu diria que é a última chance do colaborador dizer a verdade sobre tudo."
"Eventuais novas contradições não serão admitidas", diz Moraes. "Colaborador tem também obrigações. As obrigações são falar a verdade, não se omitir e não se contradizer. Não há na colaboração premiada a ideia de 'só me respondo o que me perguntam' (...) após essa nova fase da investigação se percebeu que uma série de omissões, contradições e uma série de mentiras na delação premiada", alerta Moraes.
Em seguida, Moraes diz que o depoimento de novembro foi convocado como "mais uma tentativa de permitir ao colaborar que preste as informações verdadeiras". O ministro relator diz ainda que, naquela época, havia pedido da PF e parecer favorável da PGR pelo retorno de Cid à prisão.
Mauro Cid foi preso pela primeira vez na operação que investigava a falsificação de cartões de vacina de Bolsonaro, em 2023. Após seis meses na prisão, o tenente-coronel fechou um acordo de colaboração premiada e foi solto. Ele voltou a ser preso quando áudios divulgados pela revista Veja mostraram ataques dele à corporação e ao STF. Em maio de 2024, Cid deixa a prisão novamente por determinação de Moraes.
Cid diz que Braga Netto sugeriu que dinheiro do PL bancasse mobilização para o golpe
Na delação, Cid conta a Moraes que o general Walter Braga Netto, preso em dezembro de 2024, sugeriu que verbas do Partido Liberal (PL), partido de Bolsonaro, bancasse a mobilização pelo golpe de Estado.
A ideia, segundo o ex-ajudante de ordens, era custear a viagem de pessoas do Rio de Janeiro para Brasília.
Ele conta que o partido negou o pagamento para a trama golpista. "Braga Netto então disse que iria procurar por outros caminhos. E pouco tempo depois ele me entregou uma caixa de vinho com dinheiro. Não contei e aí o De Oliveira veio buscar o dinheiro", afirmou.
*Em atualização