Um dia depois da divulgação da divulgação da “Declaração à Nação”, tentativa do presidente Jair Bolsonaro em selar a paz com o Supremo Tribunal Federal, ele teve que explicar a mudança de tom aos apoiadores. O presidente mandou um recado à militância, que não gostou dos acenos de paz feitos com a carta.
“Ninguém está recuando. Não pode ir para o tudo ou nada (...). Cada um fala o que quiser, o cara não lê a nota e reclama. Lê a nota, duas, três, bem curtinha, duas, três vezes, são dez pequenos itens, entenda”, disse nesta sexta-feira (10).
Mas a oposição afirma que o recuo de Bolsonaro seria estratégico, só para evitar processos.
“Se isso servir, pelo menos para ele parar de atrapalhar, já serviu para alguma coisa”, analisou o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara.
Em entrevista a Eduardo Oinegue na rádio BandNews FM, o ex-presidente Michel Temer acrescentou novas informações à sequência de fatos que levaram o presidente Bolsonaro a assinar a carta e comentou o recuo do presidente.
“Tudo indica que ele vai sempre se pautar, se conduzir da forma como está descrito no documento, na carta, na declaração. ‘Ah, o recuo foi um desastre’. Só não recua o ditador”, opinou.
Temer foi o responsável pela mudança de tom do presidente. Ele levou a Bolsonaro o esboço da carta divulgada na última quinta. Nela, Bolsonaro diz que “nunca teve a intenção de agredir outros poderes” e que as palavras contundentes decorreram do “calor do momento”.
O vice-presidente, Hamilton Mourão, acha que Bolsonaro fez um mea culpa, que vai dar mais tranquilidade ao Brasil.
“Consequentemente, diminuindo a tensão no país e fazendo com que as pessoas retomem seu dia a dia normal e deixem de abrir os jornais ou assistir à televisão todo dia esperando qual a briga de hoje", afirmou.
Ministros que conversaram nesta sexta com Bolsonaro o aconselharam a aproveitar o momento de pacificação para mostrar serviço: retomar o controle das pautas do Congresso e aprovar projetos de interesse do governo, parados por falta de clima político.
Empresários afirmam que as propostas são vitais para a recuperação da economia e geração de empregos. Nesta sexta, foi publicado o texto assinado por mais de 200 entidades pedindo o fim da crise.
“É que a gente possa se concentrar nas prioridades verdadeiras: que é dar oportunidades às pessoas, com boa educação, boa alimentação, combater a pobreza, buscar crescimento econômico, fortalecer as empresas brasileiras, fazer as reformas que o País precisa”, pediu Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A carta sairia na semana passada, mas foi adiada por pressão do Planalto. Falando para investidores estrangeiros, o ministro Paulo Guedes afirmou que a tensão política pode atrapalhar a recuperação da economia. Guedes reconheceu que o presidente pode ter se excedido em palavras, mas não em ações, e destacou a solidez da democracia brasileira.