A servidora que autorizou o andamento da importação da vacina Covaxin disse que não é usual o pagamento para empresas fora do contrato. A nota fiscal da farmacêutica Bharat Biotech, que vendeu o imunizante para o Ministério da Saúde, indicou uma offshore de Singapura para o recebimento do dinheiro.
Regina Célia foi citada pelo chefe de importação do ministério, Luis Ricardo Miranda - irmão do deputado Luis Miranda-, como fiscal do contrato. Miranda apresentou um e-mail em que Regina autoriza a importação de uma quantidade de doses menor que a do contrato e com pagamento para a offshore Madison, ligada à Bharat.
À CPI da Pandemia, Regina afirmou que aprovou apenas a mudança no quantitativo depois de uma justificativa da empresa que envolveria custos de seguro e logística.
A servidora disse que não sofreu pressões para aprovar a importação, mas se esquivou de responsabilidade por diversas vezes em relação a possíveis irregularidades na nota de importação.
Em determinado ponto da sessão, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) ironizou Regina: "Se a sua função fosse eliminada da administração pública, a senhora acha que faria alguma falta?"
O caso Covaxin levantou a possibilidade de corrupção por membros do Ministério da Saúde e prevaricação do presidente Jair Bolsonaro depois que o servidor Luis Ricardo Miranda relatou ao Ministério Público que teria sofrido pressões atípicas para a liberação da importação da vacina indiana. O irmão dele, o deputado Luis Miranda, disse que alertou Bolsonaro sobre as suspeitas.
A Covaxin é a mais cara de todas as vacinas adquiridas e ainda não tem aprovação da Anvisa.