
Entregadores de plataformas de alimentos e outros serviços promovem uma paralisação geral em todo o País. A ação é liderada por entregadores de São Paulo e tem apoio de movimentos como o da sucursal paulista do Vida Além do Trabalho (VAT) e o Minha Sampa.
Os trabalhadores criticaram a precarização do modelo de trabalho, comparando sua jornada com a de profissionais dentro do esquema CLT. Os profissionais têm quatro pedidos:
- Definição de taxa mínima de R$ 10 por corrida;
- Aumento no valor do quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50;
- Limitação de 3 quilômetros para entregas feitas por bicicletas;
- Garantia de pagamento integral dos pedidos, mesmo nas entregas agrupadas em uma mesma rota
A ação de segunda-feira (31) começou com uma reunião na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. A “motociata de protesto” passou pelas ruas da capital paulista e chegou até a Avenida Paulista. De lá, seguiram para Osasco, na Região Metropolitana, onde fica a sede do iFood, a principal plataforma de entrega de comidas do mercado.
Os líderes do ato foram convidados para uma reunião com um diretor da empresa, mas, segundo Edgar da Silva, presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos do Brasil (AMABR), a empresa não deu retorno para seus pedidos. A pausa segue nesta terça-feira (1º) e ainda não se sabe se as reinvindicações dos motociclistas serão atendidas.
Sala Digital levanta as principais dúvidas sobre a classe
A paralisação fez com que os internautas fossem ao Google para entender mais sobre o dia a dia dos entregadores – e a Sala Digital, parceria da Band com a empresa de tecnologia, levantou algumas das principais dúvidas sobre os entregadores.
Como virar entregador?
O iFood, principal plataforma em que os entregadores grevistas integram, pede que a pessoa seja maior de idade e habilitada, além de ter uma moto, carro ou bicicleta própria, além de uma mochila para a entrega dos pedidos e um celular com acesso a internet. Durante a inscrição, é preciso fornecer os documentos do entregador e do veículo, além de um comprovante de endereço.
Quanto ganha um entregador?
O valor varia de acordo com a jornada e a distância percorrida. Segundo dados do iFood, baseados em uma pesquisa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), um entregador pode receber entre R$ 807 e R$ 1.325 mensais em uma jornada de 20 horas semanais. Se a jornada for de 40 horas semanais, o valor varia entre 1.980 reais a 3.039 reais por mês.
Como fazer MEI para entregador?
Basta acessar o Portal do Empreendedor, escolher a opção “quero ser MEI”, se registrar com uma conta gov.br (caso não tenha, será necessário criar uma), preencher com os dados pessoais e selecionar o CNAE de entregador. Ao fim do cadastro, o CNPJ e o Certificado de Condição de Microempreendedor Individual (CCEMEI) serão gerados automaticamente.
Qual é o CNAE para entregador?
Os “serviços de entrega rápida” são classificados sob o código 5320-2/02. Sob essa Classificação Nacional de Atividades Econômicas, o motociclista pode realizar entregas de mercadorias do comércio varejista e de serviços de alimentação e de jornais e revistas em domicílio sob contrato.
Motoboy tem direito a periculosidade?
Se for registrado como CLT, sim. O valor do adicional é 30% do salário do profissional. Mas os entregadores de plataformas de alimentos não são registrados em carteira e, dessa forma, não têm direito a esse valor.
Ifood se pronunciou sobre a greve?
A empresa se posicionou em nota, afirmando que “respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras” e que estuda a viabilidade de um reajuste para este ano.
Veja a nota completa:
O iFood respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras. Como empresa brasileira e ciente do seu papel na geração de oportunidades, desde 2021, nos dedicamos à criação de uma agenda sólida e permanente de diálogo com os entregadores parceiros e representantes da categoria, para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência para estes profissionais.
Estamos atentos ao cenário econômico e estudando a viabilidade de um reajuste para 2025. É importante ressaltar que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras:
2022: Aumento do valor mínimo da rota em 13%, de R$ 5,31 para R$ 6,00, e do valor por quilômetro rodado em 50%, de R$ 1,00 para R$ 1,50.
2023: Reajuste da taxa mínima em 8,3%, de R$ 6,00 para R$ 6,50, acima da inflação do período (3,74% pelo INPC).
2024: Introdução de adicional de R$ 3,00 por entrega extra em rotas agrupadas.
O ganho bruto por hora trabalhada hoje no iFood é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional. De 2022 até 2024, os ganhos líquidos médios por hora trabalhada na plataforma foram 2,2 vezes superiores ao salário mínimo-hora, de acordo com os custos apontados em pesquisa realizada pelo Cebrap em 2023.
Além disso, todos os entregadores parceiros do iFood têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes durante as entregas, planos de saúde, programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos pelos profissionais de delivery.
Ao mesmo tempo, reforçamos que é importante respeitar o funcionamento dos estabelecimentos parceiros e garantir a livre circulação de funcionários e da população em geral, conforme previsto na Constituição, sempre prezando por um ambiente seguro e livre de qualquer tipo de violência.
O iFood segue disponível para o diálogo com os entregadores na busca por melhorias para os profissionais e para todo o ecossistema.