Caso Vitória: áudio sugere que Maicol foi coagido a confessar o crime: ‘inventei uma história’

Os advogados de Maicol pedem a anulação da confissão e chegaram a afirmar que o homem teria sido coagido pelos policiais para dar o depoimento

Julia Sarmento

A polícia investiga se a companheira de Maicol, o principal acusado pela morte de Vitória Regina, de 17 anos, teve algum envolvimento no crime. Um áudio divulgado pela defesa do acusado sugere que ele teria sido coagido por policiais a confessar a autoria do crime. 

Os advogados de Maicol pedem a anulação da confissão e chegaram a afirmar que o homem teria sido coagido pelos policiais para dar o depoimento. Foi a própria defesa dele que divulgou o seguinte áudio: 

“Quando foi por volta de dez horas, eles me chamaram na sala e falaram que ia me ferrar de qualquer jeito. Ele pegou e falou que ia colocar que minha mãe, que minha mãe limpou a cena do crime, falou que ia colocar a minha esposa, ia colocar a minha família toda. Se eu não ajudasse, ele ia colocar a minha família toda. Aí eu inventei uma história e falei que fui eu para livrar minha família. Se vocês ‘pegar’ e puxar pela câmera que tem ali fora, chegou o ‘polícia’, foram lá, me chamaram e eu falei que não ia falar com eles, aí o policial falou assim: ‘já que você não vai cooperar comigo, então você vai ficar no banheiro’. Aí me colocou dentro do banheiro e falei que depois ia me puxar de novo’, disse.

Polícia investiga esposa de Maicol

No depoimento dado para a polícia, a mulher afirmou que não esteve com o homem na noite do desaparecimento da jovem, e que teria dormido na casa da mãe. 

Ainda segundo ela, entrou em contato com Maicol por mensagem por volta das 23h e não voltou a falar com ele. Porém, através do programa israelense “celebrite”, a polícia encontrou mensagens entre os dois na madrugada do crime. 

Na última semana, Maicol assinou uma confissão afirmando ser o responsável por arrebatar e matar Vitória no dia 26 de fevereiro. De acordo com o homem, ele foi ao encontro da menina depois de ver uma postagem dela nas redes sociais. 

Segundo Maicol, ao encontrar Vitória, ele a chamou para entrar no carro, e no trajeto entre o ponto de ônibus e a casa dela, os dois teriam discutido e ele, usando uma faca, a golpeou. Em seguida, com a jovem já morta, Maicol conta tê-la colocado no porta-malas do próprio carro e a levado para a área de mata onde abandonou o corpo. 

Como está a investigação? 

Prestes a completar um mês do desaparecimento e da morte de Vitória Regina, a polícia segue com as investigações, inclusive colhendo novos depoimentos, principalmente de pessoas relacionadas a Maicol, que é o único preso do caso até o momento. 

Além disso, a polícia aguarda o resultado de alguns laudos importantes, inclusive aquele que pode apontar se o sangue encontrado no carro de Maicol, e também na casa dele, era ou não de Vitória. Até o momento não há informações de quando os laudos serão divulgados. 

Para a polícia, mesmo Maicol tendo dito que agiu sozinho, outras pessoas estão envolvidas no crime, seja no momento da morte ou na ocultação do corpo de Vitória. Além disso, a própria perícia tem questionado pontos da versão apresentada pelo homem como, por exemplo, a quantidade de facadas. 

Maicol chegou a dizer ter dado dois golpes em Vitória, mas o laudo aponta que ela morreu com três golpes: no rosto, no pescoço e no tórax. Além disso, ainda há dúvida se a jovem foi morta dentro do carro, como relatou o suspeito, já que o sangue só foi localizado no porta-malas do veículo. 

Para tentar esclarecer todas as circunstâncias, o delegado do caso decidiu voltar atrás e solicitar ao IML que seja feita a reconstituição do crime. Ainda não há data de quando isso deve acontecer. Maicol não será obrigado a participar da reconstituição. 

Além disso, segundo a defesa do suspeito, a justiça negou que seja feito um exame psiquiátrico nele, que segue preso temporariamente desde o dia 8 de fevereiro. Atualmente, Maicol está no CDP II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. 

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