
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, deve passar por audiência de custódia perante ao Supremo Tribunal Federal (STF) às 15h desta sexta-feira (9). O político passou a noite na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após ser preso durante a operação Tempus Veritatis.
Além do presidente do PL, os outros presos na operação também passarão por audiência de custódia por videoconferência: Filipe Martins, às 14h, na Superintendência da Polícia Federal no Paraná; Marcelo Câmara, às 14h20min, no Batalhão da Guarda Presidencial.; e Rafael Martins de Oliveira, às 14h40min, na Comando da Artilharia Divisionária da Divisão do Exército.
Valdemar era alvo de mandado de busca e apreensão, porém foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Além disso, os agentes da PF encontraram uma pepita de ouro entre os pertences do político.
A pepita de ouro foi submetida a uma perícia e o laudo da Polícia Federal apontou que o fragmento, de cerca de 39 gramas, tem teor aproximado de 91,76% de ouro contido e é de origem de garimpo ilegal. Foi avaliada em R$ 11 mil.
Durante a operação, a sede do Partido Liberal, em Brasília, também foi alvo de buscas. O presidente do Partido Liberal está prestando esclarecimentos na sede da Polícia Federal, declarou que a arma em situação irregular é de seu pai e alegou “lembrança afetiva”.
Além de Valdemar, a PF cumpriu três mandados de prisão. Os alvos foram: Felipe Martins, ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência; Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens; e Rafael Martins de Oliveira, major do Exército.
O quarto alvo de mandado de prisão, em decorrência da “Operação Tempus Veritatis”, se entregou às autoridades policiais nos Estados Unidos, onde está desde dezembro de 2022. Militar do Exército, o coronel Bernardo Romão Corrêa Netto estaria envolvido em pelo menos dois núcleos golpistas, um dos quais incitava colegas de farda a aderirem a um suposto golpe de Estado.
Jair Bolsonaro também foi alvo da operação da Polícia Federal e deu 24 horas para que o ex-presidente da República entregue o passaporte. Segundo a colunista da Rádio BandNews FM, Mônica Bergamo, a PF foi a Angra dos Reis para buscar o documento e o celular de assessores dele.
O passaporte do Presidente Jair Bolsonaro já foi entregue para as autoridades competentes, antes das 12:00, em BSB conforme determinação”, declarou Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom e advogado de Bolsonaro, em publicação na plataforma X, antigo Twitter.
O que aponta a investigação
Nesta fase, as apurações apontam que o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
O primeiro eixo consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas Eleições de 2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022.
O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, por meio de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.
“O Exército Brasileiro acompanha o cumprimento de alguns mandados, em apoio à Polícia Federal”, informou a PF. Os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.