No começo de março, Ronaldo anunciou a desistência da candidatura à presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Ednaldo Rodrigues, que já estava no cargo desde 2021, foi reeleito por unanimidade.
Mesmo assim, Ronaldo abre as portas para trabalhar com a CBF pelo futebol brasileiro. Em participação na edição desta segunda-feira (31) do Galvão e Amigos, o ex-camisa 9 assegurou que continuará trabalhando, mesmo sem cargo oficial.
“Muitos esperam que eu seja aquela oposição massacrante, oportunista. Eu não quero ser isso. Não é meu estilo. Eu quero ajudar o futebol. O meu propósito sempre foi esse. Essa minha pré-candidatura era para realmente ajudar o futebol, porque eu me sinto capaz de fazer isso. Não deu certo, OK, mas eu posso ajudar de outra maneira. A posição que eu tenho no futebol, eu não preciso de status nenhum para ajudar”, disse.
“Eu quero dizer aqui para o Ednaldo muito abertamente: ele não é meu inimigo e eu não sou inimigo dele. O futebol precisa, sim, de reformulação, precisa de investimento. O futebol brasileiro principalmente precisa recuperar o tempo perdido, porque está parado há muito tempo, mas precisa ser feito coisas. Eu me sentia capaz de fazer isso.”
Apesar do tom conciliador, Ronaldo cobrou um choque de gestão na cúpula do futebol nacional.
“Espero, do fundo do meu coração, que ele possa fazer, que ele possa reconhecer que o futebol brasileiro vive um momento muito ruim, mas não só isso. A perspectiva de futuro é pior que o momento atual, porque a gente não tem investimento para futuro, nós não estamos investindo nos jovens. Não estamos preparando os treinadores, não estamos preparando o futebol feminino. Eu vou continuar ajudando de outra forma, vigilante e disposto”, afirmou.
Racismo no futebol
Entre as principais questões a se resolver no futebol brasileiro, Ronaldo destacou o racismo. O ex-jogador integra uma força-tarefa da Conmebol que debateu medidas a respeito nos últimos dias, e propôs ao Brasil iniciativas inspiradas em outros países.
“Agora eu aceitei um convite da Conmebol para ir numa espécie de comissão contra violência, discriminação e racismo. Chegou lá, foi bacana pra caramba a reunião, todos os presidentes, o presidente Ednaldo estava online, não estava presencial, mas foi muito bacana a discussão, porque tinha gente da América do Sul toda, vários ex-jogadores, e todos muito claramente com a necessidade e o compromisso de mudança, de reagir a essas coisas que realmente estão afetando nosso futebol”, discorreu.
“Racismo é um tema muito atual. A gente fala muito do racismo que os brasileiros sofrem no exterior, mas a gente também tem que olhar para dentro. A gente se esquece. Mas a gente tem que combater. Nesse comitê (da Conmebol), a gente tem que usar a tecnologia que tem hoje disponível no mercado, na indústria, que é muito fácil. A gente tem que criar regras para os racistas, regras muito duras para os racistas, que forem pegos nos estádios, que é fácil de reconhecimento fácil, com imagens, e você reconhece. E te quem banir esse torcedor. Mas banir de eterno. Ele não pode voltar a um campo de futebol”, acrescentou, indo além.
“A gente tem muito que aprender. Como é que os ingleses baniram os hooligans? Com ações, com regras fortes. E acho que a gente está nesse momento em que a gente precisa de regras fortes. E discutir isso muito abertamente: existe o racismo, existe a discriminação e violência no nosso país, está cheio. A gente tem que encontrar soluções para que essas coisas não voltem e que aconteça cada vez menos. A gente tem que acabar com isso no futebol.”
Das federações à Seleção Brasileira
Para Ronaldo, o futebol brasileiro vive uma carência de bons treinadores – o que, por sua vez, reflete um problema de formação em todo o país que chega à Seleção Brasileira.
“Hoje, a gente não está discutindo treinadores brasileiros (na Seleção). Por que? A gente tem que fazer essa pergunta. Porque a gente não está preparando bem nossos treinadores, nossos futuros treinadores. A gente tem o curso CBF Academy, que funciona bem, mas é muito pequeno para o tamanho do nosso país", disse.
"Acho que tem que se multiplicar por 27 estados esse tipo de iniciativa, para a gente formar treinadores para o futebol masculino, para o futebol feminino. Temos que formar melhor os nossos jovens, e uma série de coisas que a gente precisa fazer. E o futebol brasileiro está desesperadamente pedindo ajuda para que seja feito”, analisou.
Ainda segundo o Fenômeno, países como Inglaterra, Alemanha e França também passaram por problemas recentes e trabalharam para dar a volta por cima. Agora, colhem frutos e brigam por títulos.
“Tem que pensar a longo prazo também. A Inglaterra fez um projeto maravilhoso e vai colher frutos muito brevemente. A Alemanha, depois de 2002 e 2006, também se reformulou inteira. A França vem fazendo um excelente trabalho e vive se reformulando – a França parece que é quem mais investe em cada cidade para ter o centro de treinamento da própria federação. A gente precisa desesperadamente que isso se inicie.”