Red Bull tem um problema com Liam Lawson, mas substituí-lo pode não ser a solução

Equipe vive crise interna desde 2022, e até mesmo Max Verstappen pode pagar o preço em 2025

Red Bull tem um problema com Liam Lawson, mas substituí-lo pode não ser a solução
Neozelandês não somou pontos nas duas primeiras etapas de 2025
Getty Images/Red Bull Content Pool

Quando a temporada 2024 da Fórmula 1 acabou, a situação de Sergio Pérez na Red Bull era periclitante. O mexicano somou dois pontos nas últimas cinco etapas e terminou o ano na oitava colocação do Mundial de pilotos, com 152 pontos - Max Verstappen, o campeão, somou 437 pontos.

A decisão não demorou. Checo foi dispensado, embora tivesse contrato até o final de 2026. E a Red Bull promoveu Liam Lawson, que venceu a concorrência de Yuki Tsunoda dentro da Racing Bulls para ganhar a vaga.

Mas a certeza do bom desempenho da Lawson logo virou dúvida. No GP da Austrália que abriu o campeonato, ele abandonou. Depois, no GP da China, foi o 20º colocado do Q1, largou do pitlane e chegou em 15º lugar - ganhou três posições após as punições da prova, mas ainda não pontuou.

Foi o que bastou para Liam Lawson sentir a temperatura subir. Nas redes sociais, virou Liam Slowson - um trocadilho com “slow”, ou “lento” em inglês. E viu surgirem os primeiros rumores de que (já) pode perder a vaga para Yuki Tsunoda no Grande Prêmio do Japão.

É claro que a mudança, caso aconteça, pode dar resultado - como um time que troca de técnico e vence a primeira partida sob novo comando. Mas nada indica que o problema da Red Bull nos últimos tempos seja piloto.

A morte de Dietrich Mateschitz em outubro de 2022 abriu um campo de disputa na Red Bull. Os protagonistas: Christian Horner e Helmut Marko, cada um com importantes aliados. Nomes como Max Verstappen e Adrian Newey se tornaram importantes peças neste tabuleiro.

O cenário não foi problema em 2023, no qual o time venceu 23 das 24 corridas, com Verstappen campeão e Pérez vice. O mexicano já era questionado, é verdade, mas principalmente por quem esperava que a disputa pelo título pudesse ter um pouco de emoção.

Mas a crise explodiu na pré-temporada de 2024, quando Christian Horner foi denunciado sob acusação de conduta inapropriada dentro da Red Bull. No fim, uma apuração interna acabou isentando o chefe de equipe, mas era só o capítulo mais midiático do problema.

O racha na Red Bull cobrou um preço. Ao longo do ano, nomes importantes deixaram a equipe: Adrian Newey acertou com a Aston Martin, Jonathan Wheatley saiu para chefiar a Sauber, e até a saída de Max Verstappen para uma concorrente foi especulada. Nomes fundamentais saíram, e a reposição não correspondeu.

A queda livre nos resultados não demorou. Entre o GPs da Áustria e do México, Max Verstappen venceu apenas duas corridas sprint, mas nenhuma corrida principal. Sergio Pérez foi ficando pelo caminho.

Este período é fundamental para entender a queda livre da Red Bull. O holandês se sustentou na liderança graças ao bom começo de temporada – foram sete vitórias nas dez primeiras etapas de 2024. Mas a escuderia teria ficado devendo até mesmo se tivesse um companheiro no mesmo nível do então tricampeão no carro número 11.

Pérez é bom piloto, mas obviamente não está no nível de Verstappen. E como a história da F1 mostrou, nunca foi interessante para as equipes competitivas ter dois pilotos no mesmo nível – na McLaren, duplas como Senna-Prost ou Alonso-Hamilton custaram caro às pretensões do time. Por isso, ter um piloto abaixo de Verstappen era hierarquicamente bom para a Red Bull.

Isso, é claro, enquanto o time não tinha problemas. Mas diante de um projeto que foi ficando defasado, a diferença entre os pilotos começa a aparecer. Max Verstappen conseguiu se segurar entre os primeiros colocados. Já Pérez...

Há muitas teorias que apontam para um prejuízo para o mexicano. O projeto da Red Bull prioriza Verstappen? O mexicano recebia peças defasadas? Não faria sentido acreditar que o time sacrificaria um piloto apenas para privilegiar outro – mas faz sentido acreditar que um piloto acima da média consegue tirar mais do carro, mesmo com problemas. Pérez não estava neste nível, mas virou o bode expiatório.

Os problemas não foram resolvidos magicamente na virada de 2024 para 2025. Liam Lawson assumiu a vaga, mas ainda há muitos problemas na Red Bull. Na nova temporada, a Red Bull começa atrás da McLaren, lutando com a Mercedes pelo segundo lugar, com a Ferrari correndo por fora. Mas enquanto Max tem 36 pontos em duas etapas, Liam Lawson segue zerado.

Não se sabe se o neozelandês chega ao fim da temporada como titular do time. Mas tudo indica que a Red Bull tem problemas mais profundos do que o segundo carro – e que podem custar caro ao próprio Verstappen.

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