O Dia da Mentira é comemorado anualmente em 1º de abril. A ocasião é marcada por pegadinhas, trotes e histórias inventadas, muitas vezes de maneira inofensiva. Mas uma coisa é certa: muita gente passa o dia todo tentando descobrir o que é "mentira" e o que é "verdade".
O Brasil foi o 22º país com maior interesse de busca pelo Dia da Mentira nos últimos cinco anos, segundo o Google Trends. E o mais curioso? O interesse de buscas por testes de gravidez no Brasil sempre registra picos próximos no Dia de Mentira. Nas últimas 48 horas, conforme a plataforma, o aumento foi de 115% (mais do que dobrou).
”Teste de gravidez positivo”, ”Foto de teste de gravidez” e ”Teste de gravidez falso” são alguns dos termos em alta nesta semana.
As pegadinhas envolvendo testes de gravidez no Dia da Mentira são uma das formas mais populares de trotes dessa data. A razão para isso está na natureza emocional desse tipo de brincadeira, que, por sua vez, busca provocar uma reação forte, seja de surpresa, choque ou alívio, dependendo da resposta da pessoa envolvida.
Por que o 1º de abril é chamado de Dia da Mentira?
A história mais frequentemente repetida é que este dia, em que as pessoas pregam pequenas peças nos outros por diversão, data de 1582, quando a França mudou de calendário, conforme exigido pelo Concílio de Trento, em 1563.
Até o papa Gregório 13 introduzir o calendário gregoriano em 1582, a Europa seguia o calendário juliano, instituído pelo imperador romano Júlio César em 46 a.C. e no qual o novo ano começava com o equinócio da primavera, por volta de 1º de abril.
Os desinformados, que continuaram comemorando o ano novo em 1º de abril, logo se tornaram alvo de piadas e ganharam o título ignominioso de "tolos de abril".
Desde então, as pegadinhas atravessaram os séculos e foram se modernizando. Nas últimas décadas houve de tudo: de companhias aéreas a museus e zoológicos entraram na onda de pregar peças em 1º de abril.
Em 2010, o Museu de História Natural da Dinamarca lançou um folheto com uma versão esquelética da famosa atração turística da cidade, A Pequena Sereia.
Um ano depois, a equipe do Zoológico de Bristol, na Inglaterra, realizou suas tarefas cotidianas sem roupa, como parte de um experimento fictício sobre a "sensibilidade sensorial dos gorilas".
O Museu de Cera Madame Tussauds de Londres apresentou em 2017 uma instalação especial: "O Homem Invisível", em que apenas um par de sapatos era exibido.
Omitir é mentir?
Uma pergunta que frequentemente surge no contexto das discussões sobre a mentira é se omitir informações também pode ser considerado uma forma de mentir. A resposta para essa questão depende, em grande parte, da perspectiva que se adote.
Por um lado, a omissão pode ser vista como uma mentira por omissão, onde uma pessoa decide não revelar uma informação relevante, o que pode criar uma falsa percepção da realidade.
Por exemplo, em uma negociação, omitir um detalhe crucial pode levar a outra pessoa a tomar uma decisão com base em uma visão distorcida dos fatos. Nesse caso, embora a pessoa não tenha dito uma mentira explícita, a falta de transparência tem o efeito de enganar o outro.
Por outro lado, há quem defenda que nem toda omissão seja, necessariamente, uma mentira. Em muitas situações, a omissão pode ser entendida como uma escolha estratégica, muitas vezes para proteger alguém ou evitar maiores complicações.
A diferença entre uma omissão e uma mentira muitas vezes está no contexto e nas intenções por trás da ação.
Mentir é crime?
Mentir em si, por sua definição de distorcer a verdade ou omitir informações, não é um crime. No entanto, existem situações em que mentir pode configurar uma infração legal, dependendo do contexto e das consequências da mentira. Ou seja, mentir pode ser ilegal em casos específicos, especialmente quando se trata de fraudar, enganar ou prejudicar outras pessoas. Pode ser considerado crime se ao mentir, você cometer, por exemplo:
- Falsidade ideológica;
- Fraude;
- Perjúrio;
- Falsa comunicação de crime;
- Mentir em declarações fiscais;
- Mentiras em contratos e acordos legais.