Moradores do assentamento do MST em Tremembé relatam novos disparos de arma de fogo no local

Primeiro ataque aconteceu no dia 10 de janeiro e deixou dois mortos e seis feridos

Redação Band Vale

Moradores do assentamento do MST em Tremembé relatam novos disparos de arma de fogo no local
Moradores do assentamento do MST em Tremembé relatam novos disparos de arma de fogo no local
MST Vale do Paraíba

Moradores do assentamento do MST, Olga Benário, em Tremembé relataram novos disparos de arma de fogo no local. O primeiro ataque aconteceu no dia 10 de janeiro e deixou dois mortos e seis feridos.

De acordo com as informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), um homem procurou a unidade policial para relatar disparos de arma de fogo ocorridos na região, na madrugada do último domingo (30).

Ainda segundo a SSP, câmeras de segurança registraram a presença de um veículo no local, e um vizinho também afirmou ter ouvido tiros na noite anterior. As diligências ainda estão em andamento para esclarecer os fatos.

Atentado no assentamento do MST em Tremembé

Um ataque ao assentamento Olga Benário, do MST em Tremembé na noite de sexta-feira, 10 de janeiro, deixou dois mortos e seis feridos.

Segundo o boletim de ocorrência, os criminosos chegaram em cinco carros e três motos e dispararam contra as pessoas que estavam no local. Gleison Barbosa Carvalho, de 28 anos, e Valdir do Nascimento, de 53, que era líder do assentamento, foram mortos no local. 

Segundo o MST, há anos o assentamento Olga Benário é alvo de uma disputa imobiliária para o turismo de lazer. O movimento disse que as famílias que vivem no local sofrem ameaças e que diversas denúncias já foram feitas.

Justiça decreta prisão de 4 denunciados pelo MP

A Justiça decretou a prisão de quatro pessoas denunciadas pelo Ministério Público por homicídios no ataque ao assentamento do MST de Tremembé. O ataque aconteceu no dia 10 de janeiro e deixou dois mortos e seis feridos.

Segundo o MP, a 2ª Vara da Comarca de Tremembé recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva dos indiciados. A investigação apontou que um dos denunciados tinha ocupado um lote no assentamento de forma irregular, e que foi avisado para sair do local. 

A situação gerou discussão e ameaças às vítimas, inclusive promessas por parte de um dos autores de que retornaria mais tarde para resolver a questão. No local, os autores efetuaram diversos disparos de armas de fogo, atingindo as vítimas e assumindo o risco de alvejar outras tantas que sequer tomaram parte na discussão.

Os nomes dos denunciados não foram divulgados e até o momento, dois homens já foram presos. As investigações prosseguirão para a identificação de outras pessoas que participaram dos crimes.

Nota de repúdio 

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar emitiu uma nota de repúdio sobre o assassinato de duas pessoas que viviam no assentamento Olga Benário na noite desta sexta-feira, 10, em Tremembé. O local foi invadido por um grupo de criminosos armados que dispararam contra os moradores. Outras cinco pessoas ficaram feridas.  

O ministro da pasta, Paulo Teixeira, classificou o caso como bárbaro e disse que pediu providências e punição pelo crime. 

“Falei com os secretários Guilherme Derrite, Gilberto Kassab,  com o delegado Osvaldo Nico Gonçalves e também com  o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues”, relatou o ministro.

Apoio às vítimas e medidas de proteção às famílias

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) enviou uma equipe ao local para prestar apoio às famílias afetadas e avaliar os riscos enfrentados pelos moradores do assentamento. O MDHC, por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), está realizando uma missão de apoio, junto com lideranças do MST, com o objetivo de desenvolver um plano de proteção para as famílias. 

Velório e enterro

As vítimas fatais foram veladas no domingo (12) no Cemitério Municipal de Tremembé e, à tarde, foram cremadas no Memorial Sagrada Família. Durante o velório, estiveram presentes o ministro Paulo Teixeira e a ministra de Direitos Humanos, Macaé Evaristo, que participaram para prestar solidariedade às famílias das vítimas. 

Caroline Corrêa/ TV Band Vale

Situação do Assentamento Olga Benário

O MST declarou que o assentamento tem enfrentado uma série de problemas relacionados à especulação imobiliária. A disputa pela compra de terrenos na área, com o objetivo de expandir o turismo de lazer, tem gerado conflitos e ameaças aos moradores locais. O movimento ressaltou que a tensão já perdura por anos, com diversas denúncias feitas pelas famílias à polícia, mas que a situação continua a se agravar.

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